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sábado, 14 de julho de 2012

Barroco (Portugal) - (Brasil) - resumo, principais autores, características, dicas e questão comentada


Barroco em Portugal
Barroco português desenvolveu-se entre 1580 e 1756, época em que Portugal estava em profunda crise econômica e social devido ao domínio da monarquia espanhola.

Padre Antônio Vieira
O melhor da produção barroca portuguesa encontra-se na obra do padre Antônio Vieira - político e pregador de inteligência e sensibilidade acuradas, que sintetizou como poucos os conflitos do homem barroco. 

Chamado por Fernando Pessoa de "Imperador da Língua Portuguesa", Vieira explora em seus sermões o melhor da retórica de sua época. Orador hábil e virtuoso, é também claro, engenhoso, imaginativo e convincente.

Os sermões constituem o principal da obra de Vieira. Eles trazem a essência do estilo barroco: a tentativa de promover uma síntese entre matéria e espírito. Nos sermões, Vieira busca cativar o ouvinte despertando sua consciência e convidando-o a pensar e agir. 

Divisão
No que toca à organização do discurso, a estética barroca apresenta duas tendências: o cultismo (também chamado gongorismo) e o conceptismo (ou quevedismo).

Cultismo: caracteriza-se pelo uso de uma linguagem rebuscada, culta, extravagante e descritiva. Tem como visível influência a produção do poeta espanhol Luís de Góngora y Argote.

Conceptismo: caracteriza-se pelo jogo de ideias e de conceitos, seguindo um raciocínio lógico, racionalista. Entre seus principais difusores está o poeta espanhol Francisco de Quevedo. 

Com o que ficar atento?
Os contrastes típicos do período Barroco revelam a tentativa de fundir a perspectiva antropocêntrica (herdada do Renascimento) ao teocentrismo medieval (recuperado pela Contra-Reforma).

Como pode cair no vestibular?
Em língua portuguesa, o Barroco produziu manifestações em vários gêneros e formas - uma variedade praticada não apenas como entretenimento intelectual, mas como forma de ação e debate.

A arquitetura do texto e o jogo de construções, correlações, paralelismo e simetrias que remetem não apenas ao plano estético, mas também ao contexto histórico-social constroem um amplo painel daquilo que pode ser explorado em questões sobre o Barroco em Portugal.

Como já caiu no vestibular?

Leia o seguinte fragmento, extraído do "Sermão de Santo Antônio", de Pe. Vieira.

"(...) o pão é comer de todos os dias, que sempre e continuamente se come: isto é o que padecem os pequenos. São o pão cotidiano dos grandes; e assim como o pão se come com tudo, assim com tudo e em tudo são comidos os miseráveis pequenos, não tendo, nem fazendo ofício em que os não carreguem, em que os não multem, em que os não defraudem, em que os não comam, traguem e devorem (...)"

No trecho, observa-se que Vieira

I. constrói a argumentação por meio da analogia, o que constitui um traço característico da prosa vieiriana.
II. finaliza com uma gradação crescente a fim de dar ênfase à voracidade da exploração sofrida pelos pequenos.
III. afirma, ao estabelecer uma comparação entre os humildes e o pão, alimento de consumo diário, que a exploração dos pequenos é aceitável porque cotidiana.

Está (ão) correta (s)

a) apenas I.
b) apenas I e II.
c) apenas III.
d) apenas II e III.
e) I, II e III.

Gabarito : 
Resposta correta: B
Comentário: A escolha inteligente de metáforas e analogias é uma das principais características dos sermões de Vieira, que também procura cativar a platéia aproximando sua temática das questões de ordem social e política.
Barroco no Brasil
No Brasil, o movimento tem como marco inicial a publicação do poema épico Prosopopéia, publicado em 1601 por Bento Teixeira - poeta português radicado em Pernambuco. Forte jogo de oposições e conflitos de natureza espiritual caracterizam o Barroco.
Gregório de Matos Guerra (1636-1695) é o principal autor do Barroco brasileiro. Considerado o primeiro grande lírico nacional, sua poesia é dividida em lírica, sacra e satírica.

Na lírica, Gregório apresenta a figura feminina numa oscilação entre o angelical e a tentação carnal. Na satírica, elege como alvo os políticos, os religiosos e as mulheres - por isso recebeu a alcunha de "Boca do Inferno". Na sacra, o poeta tenta redimir-se de todos seus pecados e retrata a fragilidade humana diante da morte e da condenação eterna.

Como pode cair no vestibular?

Embora os autores do Barroco brasileiro tenham inovado pouco em comparação aos europeus, eles conferiram à produção um gosto nativista e pitoresco. Essa vertente desemboca no nacionalismo romântico e tem sido explorada com freqüência pelos vestibulares. 

Vale atentar para a clara presunção de superioridade e o constrangedor preconceito de Gregório de Matos contra a mestiçagem. O tema pode aparecer em questões que relacionem o pensamento colonial a textos da época. 

A obra de Matos pode ser lembrada não só em literatura, mas também em gramática. Seus jogos de opostos utilizam processos metafóricos que se aproximam tanto do cultismo quanto do conceptismo.

Como já caiu no vestibular?
1. (Fatec - SP) No colégio dos padres, Gregório de Matos escreveu: 
"Quando desembarcaste da fragata, meu dom Braço de Prata, cuidei, que a esta cidade tonta, e fátua*, mandava a Inquisição alguma estátua, vendo tão espremida salvajola* visão de palha sobre um mariola*".
Sorriu, e entregou o escrito a Gonçalo Ravasco. 
Gonçalo leu-o, gracejou, entregou-o ao vereador.
O papel passou de mão em mão.
"A difamação é o teu deus", disseram, sorrindo.

(Ana Miranda, Boca do Inferno)

(*fátua: tola;*salvajola: variante de "selvagem"; *mariola: velhaco)

O trecho ilustra:

a) a poesia erótica de Gregório de Matos, inspirada na vida nos prostíbulos da cidade da Bahia e que deu origem à alcunha do poeta, "Boca do Inferno".
b) a poesia lírica de Gregório de Matos, voltada para a temática filosófica, em linguagem marcada pelos recursos da estética barroca.
c) a poesia satírica de Gregório de Matos, dedicada à descrição fiel da sociedade da época, utilizando recursos expressivos característicos do barroco português.
d) a poesia erótica de Gregório de Matos, caracterizada pela crítica aos comportamentos e às autoridades baianas da época colonial.
e) a poesia satírica de Gregório de Matos, que representa, no conjunto de sua obra, uma fuga aos moldes barrocos e ataca, no linguajar baiano da época, costumes e personalidades.

GABARITO 
1. Resposta correta: E
Comentário: 
A produção satírica de Gregório, além da alcunha de "Boca do Inferno", valeu-lhe o degredo por estar em desacordo com o ideário Barroco.


Um comentário:

  1. qual as características em comum do barroco e o filme o nome da rosa ? obrigado

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